Como planejar sua viagem para Portugal com pet sem erros burocráticos

Mudar de país é um dos maiores projetos de vida que alguém pode realizar. Para quem tem animais, a prioridade é clara: eles vão junto.

No entanto, a viagem para Portugal com pet exige um planejamento rigoroso de meses para evitar que o sonho se torne um pesadelo logístico no aeroporto.

Se você sente ansiedade só de pensar na burocracia ou no bem-estar do seu companheiro durante o voo, este guia foi feito para você. Prepare o checklist e vamos ao passo a passo definitivo.

Cronograma e Prazos: O Plano de 6 Meses

O maior erro dos tutores é deixar a documentação para a última hora. Portugal, como parte da União Europeia, exige processos que possuem prazos de carência biológica impossíveis de apressar.

Para garantir que sua viagem para Portugal com pet ocorra sem sobressaltos, você deve iniciar os preparativos com, no mínimo, 180 dias de antecedência da data pretendida para o embarque.

Este tempo é necessário para respeitar os ciclos de vacinação e, principalmente, a espera obrigatória após os exames laboratoriais exigidos pelas autoridades sanitárias internacionais.

A Sorologia de Raiva: O passo que mais gera erros

A sorologia de anticorpos da raiva é o coração da burocracia. Sem ela, seu pet simplesmente não entra em território europeu, sendo impedido de embarcar ainda no Brasil.

Este exame deve ser realizado em laboratórios credenciados pela União Europeia. O objetivo é comprovar que a vacina aplicada realmente gerou a proteção necessária no organismo do animal.

O ponto crítico aqui é o prazo: após a coleta de sangue, o animal deve cumprir uma quarentena de 90 dias em solo brasileiro antes de poder viajar. Errar essa conta significa adiar sua mudança.

Microchip e Vacinação: A ordem correta dos fatores

Um erro comum que invalida todo o processo é a ordem entre a microchipagem e a vacinação. Para a Europa, a vacina de raiva só tem validade legal se o pet já estiver microchipado.

O microchip funciona como o RG do animal. Ele deve seguir o padrão ISO 11784/11785. Se você vacinar seu pet e só depois colocar o chip, precisará vaciná-lo novamente e reiniciar os prazos.

Portanto, a regra de ouro é: primeiro o microchip, depois a vacina antirrábica (mesmo que ele já esteja vacinado) e, por fim, a coleta de sangue para a sorologia após 30 dias da vacina.

Documentação Exigida para Portugal em 2026

Com os prazos de saúde em dia, entramos na fase documental. Em 2026, os processos estão mais digitalizados, mas a conferência manual de cada item ainda é essencial para o sucesso.

Toda a papelada visa a emissão do documento soberano: o CVI. Sem ele, a companhia aérea está proibida de aceitar o animal, independentemente de você ter pago a passagem.

Mantenha uma pasta física e uma digital com todos os laudos originais, pois as autoridades em Lisboa ou Porto exigirão os documentos físicos no momento do desembarque e inspeção.

CVI (Certificado Veterinário Internacional) e Vigiagro

O CVI é o documento oficial emitido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) do Brasil. Ele atesta que o animal cumpre todos os requisitos sanitários para entrar em Portugal.

Atualmente, o processo de solicitação é feito online através do Portal Gov.br. Você deve anexar o laudo da sorologia, o certificado de vacinação e o atestado de saúde emitido por um veterinário.

Fique atento: o CVI tem validade curta para o embarque. Geralmente, você deve emitir o documento e viajar dentro de um prazo de 10 dias, por isso o agendamento deve ser preciso.

Validade dos exames e atestados de saúde

O atestado de saúde emitido pelo seu veterinário particular deve seguir um modelo específico aceito pelo MAPA. Ele deve declarar que o animal está apto a viajar e livre de parasitas.

Este documento deve ser emitido no máximo 10 dias antes da emissão do CVI. Se houver qualquer atraso no voo ou na análise do MAPA, você pode precisar de um novo atestado.

Para quem viaja com gatos, a atenção deve ser redobrada com a vermifugação e tratamentos contra ectoparasitas, garantindo que o animal chegue ao destino final em perfeitas condições clínicas.

Escolhendo a Companhia Aérea e a Caixa de Transporte

A segurança física é a maior preocupação dos “planejadores ansiosos”. A escolha da companhia aérea define não apenas o preço, mas o nível de cuidado que seu pet receberá.

Nem todas as aeronaves possuem porões pressurizados e climatizados adequados. Além disso, cada empresa possui uma cota limitada de animais por voo, o que exige reserva antecipada.

Ao planejar sua viagem para Portugal com pet, entre em contato com a companhia antes mesmo de comprar sua passagem humana para garantir que ainda há vaga para o animal na data desejada.

Cabine, Porão ou Carga Viva? Entenda as diferenças

Viajar na cabine é o desejo de todos, mas é restrito a animais pequenos (geralmente até 8kg ou 10kg, somando o peso do pet e da bolsa de transporte). Verifique as regras da TAP, LATAM ou Air France.

Se o seu pet for maior, ele irá no porão. Não se assuste: os porões de aeronaves modernas que fazem rotas transatlânticas são climatizados e mantêm a mesma pressão da cabine.

A modalidade “Carga Viva” (Cargo) é usada quando o animal viaja sozinho ou quando o peso excede o limite do porão convencional. É um processo logístico diferente, mas igualmente seguro.

Normas IATA para a caixa de transporte (Kennel)

A caixa de transporte, ou kennel, é o item de segurança mais importante. Ela deve seguir rigorosamente as normas da IATA (Associação Internacional de Transportes Aéreos).

O pet deve conseguir ficar em pé e dar uma volta completa (360 graus) dentro da caixa sem encostar no teto. Caixas pequenas demais resultam em embarque negado no balcão do check-in.

Opte por caixas de material resistente, com trancas metálicas e furos de ventilação em todos os lados. Lembre-se de “ambientar” seu pet com a caixa meses antes da viagem para reduzir o estresse.

Custos Médios e Orçamento da Mudança

Uma viagem para Portugal com pet não é barata. O planejamento financeiro deve contemplar desde os custos veterinários no Brasil até as taxas de entrada na União Europeia.

Considere gastos com: microchip, vacinas, sorologia (que custa entre R$ 800 e R$ 1.500), taxas de emissão de CVI, a passagem aérea do animal e a caixa de transporte adequada.

Em média, o custo total para levar um cão de porte médio pode variar entre R$ 5.000 e R$ 12.000, dependendo da cotação do Euro e da modalidade de transporte escolhida.

Chegada em Portugal: O que fazer no Aeroporto?

O pouso em solo português não é o fim da jornada. Você precisará passar pelo controle veterinário no aeroporto de chegada (Lisboa, Porto ou Faro).

É necessário avisar a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) com pelo menos 48 horas de antecedência sobre a sua chegada, preenchendo um formulário específico online.

No aeroporto, um inspetor verificará o CVI e o microchip do animal. Há uma taxa de inspeção (atualmente em torno de 40 a 60 euros) que deve ser paga no local para a liberação do pet.

Próximos Passos

Realizar uma viagem para Portugal com pet sem erros burocráticos é perfeitamente possível com organização. O segredo está em respeitar os prazos e nunca pular etapas sanitárias.

Ao seguir este guia, você transforma um processo complexo em uma lista de tarefas executáveis, garantindo que sua nova vida na Europa comece com toda a família reunida e segura.

Lembre-se: a segurança do seu melhor amigo depende do seu planejamento hoje. Não arrisque a saúde ou a legalidade da viagem por falta de informação atualizada.

Deixe um comentário